Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Ser Tuno no século XXI...

Para os curiosos ou sedentos do que aconteceu no ENT, deixo aqui o que por mim foi dito. Trata-se apenas uma perspectiva e opinião pessoal, do que vejo a minha volta.
Se alguém quiser comentar, concordando ou discordando, é bem vindo, pois aqui não quero que vos falte nada!
Cá vai:


Ser Tuno no século XXI – Defeito ou feitio?

A actualidade do mundo das Tunas tem-se debatido com um facto que dificulta a vida e sobrevivência de uma Tuna: a sua manutenção assegurada por muitos Tunos que já terminaram o curso, em alguns casos, há muitos anos. Se por um lado é bom que ainda permaneçam na Tuna, como forma e ícone de lembrar o que é a Tuna em todos os aspectos, por outro é óbvio que não é por ter dificuldade de se desligar, mas sim por ser necessária para a Tuna não definhar.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, já dizia o ditado. No mundo das Tunas verifica-se a dificuldade expressa não só em cativar os jovens para ingressar nas Tunas, mas também conseguir que eles por lá se mantenham e se tornem Tunos, sejam mais que um “corpo presente” a ocupar espaço e tornar-se em “mais um”.
Porque o ser-se Tuno é mais que ir a meia dúzia de ensaios, vestir um traje, pegar num instrumento e seguir com “meia dúzia de camelos” para uma actuação, ir a festivais de Tunas, estar com a malta e chegar a casa as quinhentas, ou ter um fim de semana fora em que os sapatos deram cabo dos pés, mas até foi fixe.

O ser-se Tuno é um modus vivendi, há tempos, no meu blog, descrevi um pouco do que é nosso:

“O Tuno é aquela pessoa que é solidária, leva os outros a solidariedade, diverte com a sua irreverência, mas sem indelicadezas, é aquele que se expressa musicalmente, mesmo sem ter esse dom. Como o faz? Actuando. Simples, não é?Para quem não sabe, e alguns deveriam saber, a música é sempre uma forma de expressão, e foi isso que provocou o movimento tunante, para exprimir o que ia de bem e de mal, o que gostavam e não gostavam, demonstravam os seus sentimentos experenciados, musicalmente. Aos poucos foi-se expandindo para outras áreas: a transmissão da cultura musical aos seus ouvintes, daí a variedade musical expressa pelas Tunas.E através dessas músicas todas, vão apoiar instituições em dificuldades, alegrar pessoas, dar-se a conhecer, actuando nos mais diversos sítios: Hospitais, lares, festas de Natal das mais variadas instituições, Encontros e Festivais de Tunas, televisiva e radiofónicamente pra todo o mundo.”

Então o que se está a passar actualmente?


A nova geração de estudantes do Ensino Superior mostra-se desinteressada e preguiçosa. E quando chegam ao curso, e como ninguém lhes pode fazer o curso por eles, sabem que nisso sim terão que trabalhar. Até porque tudo o resto: “ se aparece sempre feito, porque terei que ser eu a fazê-lo desta vez!!!”
Se desta nova geração, não surge o interesse na história da praxe, porque se ela existe é porque é assim; no traje, porque se ele existe é porque é assim; nas Tunas porque se existem é porque sim… o que podemos nós fazer para inverter estas mentalidades e poder usufruir do seu contributo e torná-lo em Tuno? Pouco ou nada.
O facto de se voluntariar para entrar na Tuna, significa que (deveria) sabe (r) que isso implica tempo e dedicação, tal como em qualquer outra actividade extra curricular, e o que eu observei nos últimos tempos é que das duas, uma:
· Ou sabe que vai ter que dar do seu tempo escolar e pessoal para esta causa, dedicando-se, aprendendo, vivendo e torna-se um Tuno;
· Ou descobre que afinal os ensaios são mesmo ensaios, que para aprender a tocar um instrumento demora mais que uma hora e chateia-se com isso e como dá muito trabalho e “não compensa” vai-se embora.

Em consequência disto, a maior parte das Tunas pode não crescer ou manter a nível quantitativo, mas mantém ou aumenta a sua qualidade musical, pois na minha perspectiva, noto mais pessoas com conhecimentos, bases musicais que tem levado a um boom qualitativo nas performances das Tunas e com uma maior quantidade e diversidade de instrumentos e estilos musicais; ou dedica-se afincadamente a aprender a tocar um instrumento.


Em contrapartida, o facto de uma Tuna apresentar nos seus “quadros” muitos Tunos formados e com vida pessoal e profissional mais exigente, diminuem a quantidade de actividades próprias e quase únicas da existência de uma Tuna: as Serenatas, as actuações de rua, as actuações espontâneas, as rondas; cingindo-se muitas vezes a actuação marcada com muita antecedência, sejam actuações privadas, Encontros e Festivais de Tunas. E aos poucos a essência, aquele “não sei que” que torna este pequeno mundo mágico, vai-se perdendo e desvanecendo.

Sobre o Processo de Bolonha, na minha opinião pessoal, não será isso que dificultará a reciclagem das Tunas, visto que nos cursos que passam a ser 3+2 anos, penso que poucas pessoas arriscarão a se ficar pelos 3 anos, e mesmo assim, há pouco menos de uma década ainda existiam os Bacharelatos e nessa altura não era impedimento de se formar, ter e manter uma Tuna, sendo um curso de 3 anos. É mesmo uma questão de predisponibilidade social dos novos alunos do Ensino Superior."

Dix it